FALA SÃO CHICO

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Realizadores audiovisuais marcam presença no 5º FALA São Chico


As sete sessões de cinema contaram com a participação de pelo menos um representante de filme para um bate-papo com o público

   Como parte da programação do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul, realizadores dos filmes marcaram presença nos quatro dias de festival e conversaram com o público logo após as exibições. O evento encerrou neste sábado (4) e contou com a presença de mais de 700 pessoas nas sete sessões de cinema, que exibiram 15 filmes de cinco países, realizadas no Cine Teatro X de Novembro.

    Na noite de abertura, na quarta-feira (1), Lucas Antunes, diretor do filme “Sumidouro Livre”, de São Francisco do Sul, participou do bate-papo depois do encerramento da apresentação do programa Territórios Livres, que contou com quatro documentários. 

   O filme dirigido por Antunes trata sobre a luta de muitos anos e de milhares de pessoas. A área do Sumidouro, localizada entre as praias do Forte e do Capri, em São Francisco do Sul (SC), sofre ameaças constantes. Com o apoio de moradores, associações, entidades, institutos e organizações, este documentário surge como uma ferramenta de educação e conscientização, contribuindo para que essa área continue preservada e livre.

   “Eu ressalto a  importância de eventos desse tipo para termos um intercâmbio intercultural brasileiro, pois o cinema começa no dia-a-dia, começa no diálogo, começa assim, entre trocas humanas”.

   No segundo dia do festival, foi apresentado o programa Lugar no Mundo em três sessões que exibiram cinco filmes. Na manhã de quinta-feira (2), a sala de cinema contou com a participação do diretor Marcelo Sabiá, do filme “Não é brincadeira, é Bullying”, de Urubici (SC). O documentário expõe o impacto do bullying e propõe uma mudança urgente: da punição à escuta, do silêncio ao acolhimento. Uma reflexão sobre a responsabilidade coletiva diante da dor invisível de crianças e adolescentes. Na conversa com a platéia, Marcelo reforçou a importância do diálogo com as escolas, os pais e a sociedade em geral, para evitar problemas como os relatados na sua obra. 

    “É sempre bom poder compartilhar, trocar ideias e ver a percepção do público, principalmente num festival como o FALA São Chico que tem a presença de muitas faixas etárias, pois cada um tem uma percepção diferente do filme”.

   As realizadoras Vanessa Dunk (diretora e montadora) e Bárbara Silveira Simão (roteirista e montadora), de Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ), acompanharam a exibição de “Envelhecer no Espectro”, filme que compõe o programa Lugar no Mundo na quinta-feira (2) a tarde e estreou no 5º FALA São Chico. A partir de relatos íntimos de adultos autistas, o documentário revela histórias marcadas por bullying e isolamento social, atravessando o percurso até o diagnóstico tardio e o processo de se reconhecer no espectro.

    “Foi muito emocionante ver nessa telona nossa obra. O documentário é resultado de uma dissertação de mestrado que eu quis que saísse da academia e chegasse ao público. Fizemos sem recurso, a muitas mãos e eu consegui amigos que toparam a ideia e fizeram isso acontecer”, disse Vanessa emocionada.

   Na sexta-feira (3), o diretor Lucas Antunes também esteve presente na sessão realizada à tarde, que reprisou o programa Territórios Livres. A noite foi a vez da estreia do programa Corpos de Permanência que contou com a participação do realizador Alex Hahnebach, do filme “Entre Cordas e Sonhos: O Maestro Hans e a Orquestra", de Timbó, SC.

   A obra fala sobre a história de um Maestro alemão que chegou ao Brasil e transformou a vida de muitos músicos iniciantes com a fundação da Orquestra de Câmara de Timbó em 1997. O documentário acompanha o início e a Orquestra atualmente ao longo dos mais de 25 anos de atividade.

   “Tinha um sonho de sair da minha bolha, de conhecer mais o mundo. Foi aí que comecei a fazer cursos, fiz fotografia e acabei me aventurando no audiovisual. Participei do FAM em 2024 e 2025 e agora é uma alegria imensurável estar aqui no FALA São Chico compartilhando da arte”, afirmou.

   Duas realizadoras potiguares também marcaram presença na sessão da sexta-feira à noite. Suelayne Cris (diretora) e Isabelle Dantas (designer gráfico), de “A Voz Nos Muros”, de Natal (RN), acompanharam a exibição do curta-metragem e ficaram emocionadas com a oportunidade. O documentário mostra Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas da cena potiguar do grafite, compartilham suas vivências na cultura hip-hop. A partir de seus olhares, o filme constrói um retrato afetivo da arte urbana em Natal, acompanhando o processo de criação de um mural coletivo.

   “Nosso filme é um recorte de uma realidade e cultura local, de Natal, e ficamos muito felizes de ter sido escolhido para o festival e saber que nossa história está dialogando com outros públicos”, declarou Suelayne.

   O FALA São Chico 2026 é produzido através da Lei Rouanet. Hotel Oficial Villa Real. Tem parceria das empresas especializadas em audiovisual DOT, Media Mundus, Mistika, Naymovie e Plural Tec. Apoio institucional da Associação Empresarial São Francisco do Sul e Secretaria de Turismo, Prefeitura de São Francisco do Sul. Com apoio Full Port e Rocha. Correalização, Prefeitura de São Francisco do Sul através da Fundação Cultural Ilha de São Francisco do Sul e JD Consultoria. Com realização Associação Cultural Panvision e Ministério da Cultura.